Mãe irritada e imprinting
Havia passado uma semana desde que retornamos de La Push, e as férias estavam sendo divertidas por aqui. Na verdade, Seattle era uma cidade de bastante entretenimento.
Na parte da manhã, Leah, Seth e Embry estavam indo para o trabalho, e a tarde se juntavam á nossa bagunça. Mas depois que as férias acabassem, eles entrariam em cursos técnicos á tarde. Leah amava essa idéia, já que os cursos aconteceriam na mesma escola que Scott faria faculdade. Na verdade, após o término das férias, eu, Emm, Fred, Elizza e Esme seríamos os únicos á ficarmos em casa. O resto dos meus irmãos e Jacob voltariam á estudar como veteranos dessa vez. E Carlisle como sempre, trabalharia.
Mas enquanto as férias não acabam… Ainda há muita coisa para se aproveitar com todos os que estão aqui. Carlisle e o bando de Jacob acabaram de sair para trabalhar, com meu pai dando uma carona para eles. E o restante dos vampiros está espalhado pela casa, fazendo diversas coisas, já que estamos em férias. Os que tinham uma parte humana -Jake e Ness- estavam dormindo. Isso era uma perda de tempo.
Abri o máximo que pude as portas de correr na minha varanda para o sol entrar. Emmett assistia um filme qualquer de comédia na televisão, então eu resolvi escrever em meu diário, sentada em um banco almofadado na varanda.
“Diário, me desculpe se você anda criando mofo dentro dessa gaveta, mas eu simplesmente não tenho tempo para escrever. Eu sei… Como uma vampira imortal e que não dorme, não tem tempo para escrever nem um parágrafo em seu diário? Mas o problema é que eu tinha escola, lições, caçadas, compras no shopping, grupo de formatura, e Emmett pela noite. Por agora, as férias irão fazer meu tempo ficar mais livre, então, eu buscarei escrever mais em você. Todos humanos pensam que após as férias eu e Emm faremos faculdade, mas na verdade, teremos férias estendidas de um ano. Nesse tempo iremos viajar ou fazer qualquer outra coisa. Ficaremos esperando meus irmãos se formarem como veteranos e então, nos mudaremos de cidade e tudo aquilo novamente. Enquanto esperamos, vamos também passar um tempo na Ilha Esme, na Lua de Mel. Sim! Vamos casar novamente!”
-Rose, venha aqui. –Emm me olhou implorando. Fitei o CD em suas mãos, e um jogo de corrida estava nelas.
-Emmett… –resmunguei. –Seus irmãos estão no primeiro andar! E eles são homens! Não é mais legal jogar com eles?
-Tá bom então. –ele deu de ombros, parecendo desinteressado. -Sabia que você era péssima em dirigir uma Lamborghini Gallardo! Ainda mais apostando uma corrida comigo! Ora, é só um jogo Rosalie, só uma partida!
-Não irá me convencer com chantagens emocionais. –eu cerrei meus olhos para ele. Emm poderia subestimar minhas habilidades o quanto quisesse, eu não iria me convencer.
-Por favor, por favor, por favor, por favor, por favor!
-Nem me irritando e imitando Alice. –eu sorri.
-Humpft… –ele se levantou da cama e enroscou suas mãos em minha cintura. Seus lábios percorreram minhas mãos e subiram até os ombros.
-Emmett… –tentei silenciá-lo, mas com uma agilidade maior que a minha, foi ele quem me calou. Meus lábios foram trancados pelos dele e suas mãos roçavam a base de minhas costas.
Tomei fôlego para sair daquele aperto irresistível. Eu queria gritar com ele por tentar me distrair com algo realmente distrativo.
-Emmett! Não irá me convencer com… Com… –seus lábios mais uma vez tocaram os meus.
Ele nos separou e deixou nossas testas encostadas. Seu olhar penetrante e dourado me deixou tonta. Eu não conseguia desviar meu foco de seus olhos. Isso era uma reação tão idiotamente humana, e eu a sentia.
-Eu irei sim… Eu irei te convencer. –ele disse, sorrindo maliciosamente para mim.
-Só se depois de uma partida você me recompensar. –falei com um olhar um tanto quanto… Provocante. Acabei cedendo pelos encantos de Emm.
-Claro! -ele obviamente concordou rápido demais, e voou novamente para a cama, depois de encaixar o CD no vídeo game.
Peguei um dos controles e ele pegou o outro. Selecionamos os carros e o modo da partida.
Os botões de controle praticamente eram arrancados com tamanha força que colocávamos sobre eles. Meu carro estava empatado com o de Emmett até o momento que consegui pegar um composto de nitro. Meu carro alcançou uma velocidade um tanto quanto fantasiosa e ultrapassei Emm.
-Ei! Você é sortuda! –ele resmungou.
-Não! –gargalhei orgulhosa. -Somente sou ótima em dirigir uma Lamborghini Gallardo mesmo jogando contra você! -respondi provando na prática do que ele duvidou.
Todo esse diálogo aconteceu com nossos olhos vidrados na tela do jogo. Vi com o canto de meu olho Emmett me mostrar sua língua, mas o ignorei.
-Ei minha linda… –ele cantarolou para mim. Seu corpo se aproximou do meu, mas ainda sim, ele nem tirou os olhos da tela. Eu notei porque somente espiava de canto de olho.
Sua mão desocupada passou em volta de meu ombro esquerdo e com um arrepio, senti seus lábios rapidamente passarem em meu pescoço.
Distrai-me com aquilo e fitei Emmett demoradamente. Ele estava olhando novamente para o jogo, mas eu havia esquecido o que estava fazendo. As covinhas que se formavam quando ele sorria apareceram, e me fez ficar ainda mais perdida nele.
Só voltei para a realidade quando seu grito irrompeu meus tímpanos. Ele saltou da cama e pulava como um urso atacando um viajante.
-O que é isso Emm? –disse confusa.
-Não notou nada? Olhe para a tela! -ele apontou com seu dedo indicador para a TV.
Meus olhos tremeram involuntariamente de ódio. Ele havia me distraído para ganhar a partida?! Fora o fato de que com a distração ele já havia me convencido de jogar essa porcaria!
-Eu ganhei de você! Há! –ele gargalhava maldosamente.
Saltei furiosa da cama.
-Você trapaceou! –eu gritei.
-Não disse que seria limpo. Mas ainda sim terá sua recompensa. –ele piscou o olho.
Cerrei meus olhos ferozmente para ele.
-Tá bom. –Emm recuou um passo. -Se não quiser ganhar presentinho, não tem problema. Só tire esse olhar de mim, me dá medo. Rosalie? Você está dentro de si? –ele disse duvidoso.
-Emmett! –vociferei realmente brava. -Você conseguiu me convencer de jogar essa droga com você, mas aí só para ganhar me trapaceia com beijinhos?! Enquanto eu estava hipnotizada com sua beleza, você só estava interessado em colocar aquele carro horrível na linha de chegada!
-Como se você nunca tivesse trapaceado! -ele tentou colocar meus argumentos contra mim.
-Eu pelo menos sei quando devo fazer isso! –gritei. -E não trapaceio usando minha beleza!
Cada vez mais minha voz soava estridente e alta. Escutei passos subindo as escadas enquanto Emm me fitava de olhos arregalados.
-Está tudo bem aí? –era a voz de Esme, mas eu sabia que havia mais alguém com ela.
-Sim. –eu disse de dentes cerrados e encarei Emmett como uma vampira.
-Não está não! –Emmett retrucou. –Rosalie foi possuída por algum demônio. E o olhar dela solta faíscas! –ele parecia sério ao falar com Esme.
Meu rosto se contorceu em algo ainda mais psicótico, e Emmett prendeu sua respiração.
-Esme! Preciso de ajuda. –ele disse desesperado, quase teatralmente. Esme começou a rir, não evitando uma reação ao tom de voz dele. –É sério! –Emm tentou a convencer.
-Ela não irá te bater Emmett! –Esme disse ainda rindo. -E não mandei você a provocar. Com certeza tem motivo para ela ficar furiosa com você!
-Está certa, ela não irá me bater. –Emm concluiu. -Mas irá arrancar meus olhos das órbitas! Esme! –ele implorou.
Minha mãe abriu a porta, que estava destrancada, escondendo um sorriso e tentando ser séria.
-Pare com isso Rosalie, conhece como Emmett é. – ela tentou pacificar. -E Emm, contribua querido! Você sabe que Rosalie…
-Eu sei! –ele mal esperou nossa mãe acabar. -Nunca mais irei trapacear com ela. Vou deixar toda essa abstinência de trapaças com que sofro para descontar no Jacob!
-Certo. –ela saiu do quarto chacoalhando a cabeça e fechando a porta atrás dela.
-Pode ir Esme… –Emm se encolheu. -Sei que ela irá arrancar minha cabeça nesse segundo. –ele disse com os olhos brilhando por compaixão para mim.
Como sempre, nunca consigo ficar brava por muito tempo com Emm. Gargalhei de sua expressão e ele relaxou. Meu garoto era tão… Humano.
Passei meus braços ao seu redor e encostei minha cabeça em seu peito.
-Você sabe… –suspirei. -Eu odeio minha fragilidade quanto a ficar brigada com você.
-Eu adoro. –Emmett sorriu. -Não agüentaria você brava comigo. Fora que isso aconteceria o tempo inteiro. –ele deu de ombros.
-E se eu arrancar sua cabeça agora, ficarei sem noivo para o dia do casamento. –dei de ombros também. -Quem sabe faço isso após a cerimônia?
-Duvido muito. –Emm se deu por convencido. -Você não gostaria de curtir a Ilha Esme sozinha. Ou gostaria? –ele me fitou com o cenho curvado.
-Emmett! –dei uma bofetada em seu peito quando ele me fitou maliciosamente. –Isso é horrível! Claro que não! –ele sorriu de meu ataque repentino e me puxou para a cama.
-Você pode ter trapaceado… –murmurei. -Mas sua promessa ainda está de pé. Ainda tenho direito da recompensa? Afinal, joguei com você. –sorri como ele sempre faz para mim.
-Você sempre tem esse direito. Sabe, é só pedir. –ele retribuiu o sorriso.
Minhas costelas foram pressionadas contra o colchão e senti seus lábios nos meus.
***
-Rosalie! –uma batida forte na porta me fez parar de vestir a blusa. Era Jacob.
-Que foi? –revirei meus olhos. Se ele abrisse a porta estaria morto.
-Você poderia ir buscar Seth, Leah e Embry no trabalho? –ele perguntou. -Já está na hora deles saírem, já que só trabalham pela manhã.
-Por que eu tenho que ser a carrocinha?
-Carrocinha? –Jake pareceu confuso.
-É! Buscar cachorros perdidos e levá-los para um lar! –ao falar isso, eu escutei Jacob bufar.
-Você não tem jeito. Qual é psicopata, não custa nada. –ele parecia persuasivo. -Edward me pediu para te falar isso. Eles estão fazendo uma surpresa para o meu bando, e queria que você fosse pegar eles. Se alguém parar de arrumar a tal surpresa, não vai dar.
-Tá… –disse relutante.
-Muito obrigado! –escutei os passos dele descendo a escada. Peguei o ombro de Emmett e o arrastei para a garagem enquanto terminava de vestir minha blusa pelo caminho. Emm estava só de calça, e foi descendo a escada colocando os tênis e uma camiseta.
Girei as chaves do meu conversível e acelerei estrada afora. Emmett ligou o som em uma altura insuportável até para um humano. O som de hip-hop era quase repugnante. Logo chegamos ao shopping e estacionei meu carro na primeira vaga disponível que vi.
A manhã estava nublada, então mesmo sendo dia, não houve problemas quando saímos da Ferrari quanto á brilharmos.
-Vamos achar os lobos… –Emmett disse completamente desanimado. Andamos entre as centenas de lojas da primeira galeria e achamos a que Leah trabalhava.
Seus olhos ficaram arregalados quando ela nos viu parados na vitrine.
-Vocês vieram nos buscar? -Leah indagou. No fundo ela quis falar: “Rosalie, por acaso tomou uma martelada na cabeça hoje?”.
-Sim. –respondi. -Jacob não pôde vir. Por isso viemos aqui procurar vocês. Paramos o carro em um lugar diferente de onde o seu Alfa lhes busca. Talvez ficassem perdidos, e voltariam de ônibus à toa. -E também porque eles têm um segredo de vocês, pensei.
-Obrigada. –ela sorriu. -Vamos achar Seth e Embry agora. Meu horário aqui já acabou. Se corrermos, ainda os encontramos na academia. O horário deles acabou também.
Ela se despediu das colegas de trabalho e corremos humanamente até onde os outros lobos pudessem estar.
Na porta da academia, homens mais altos que Ciclopes e às vezes mais musculosos que os metamorfos se aglomeravam no bebedor de água. Os olhos deles fitavam desejosos meu corpo e o de Leah. Escutei um baixo rosnado surgir no peito de Emm. Ele passou a mão em torno de minha cintura, e então, os olhares ficaram somente em Leah.
Embry e Seth estavam saindo vagarosamente pela porta, e então, Leah os explicou porque estávamos buscando eles.
Seth fuzilou com os olhos os garotos que olhavam sua irmã. “Ela já tem dono, idiotas!”, ele balbuciou.
Pelo menos nessas horas, Seth aceitava o relacionamento de Leah e Scott. Como sempre ando pensando, Seth deveria parar de se preocupar em achar somente seu imprinting, e sim, encontrar uma garota legal. Por mais divertido que seu espírito fosse… Ele estava parecendo uma velhinha ranzinza ultimamente.
Voltamos para onde meu carro estava e enquanto dava a partida e Emm ligava novamente o som, escutei uma espécie de gemido vindo dos bancos traseiros.
-Seth! Seth! SETH! -Leah batia nas bochechas do irmão com urgência. Embry tinha os olhos arregalados.
-Meu Deus… É Ela! –Seth sussurrou. Ela quem?
-Que diabo é ela, Seth?! –Leah rosnou.
-Minha… Meu… Imprinting. –seus olhos estavam fixos em uma garota ruiva e alta que saía de seu carro e fitava Seth confusa. O brilho instantâneo tomou conta do olhar do pequeno lobo. Aquele estranho magnetismo parecia dançar entre minha Ferrari e o carro dela.
-Como sabe? –foi uma das perguntas mais idiota que Embry já fez. Só de olhar para Seth dava para ver a mesma ligação de Nessie e Jacob entre ele e a tal menina. O mesmo encanto.
Seth ignorou Embry e saltou do carro, indo conversar com a garota.
-Meu Deus! Ela vai achar que ele é louco! –Leah sussurrou. Observei na camiseta da menina que ela vestia a logomarca da academia que Seth e Embry trabalhavam. Ele tinha um ponto. A garota seria próxima dele. Seth já estava do lado dela, falando alguma coisa.
Esperamos quinze minutos, e eles ainda estavam conversando. A menina parecia quase admirar Seth, e ele a fitava tão intensamente, que eu quase ficava tonta.
Buzinei o carro para chamá-lo. Se demorássemos muito, Edward ficaria preocupado que a surpresa deles tivesse sido arruinada por algum imprevisto. E Alice só veria meu futuro se focasse em decisões minhas que não envolvessem os pulguentos. Eles ficariam preocupados. Buzinei de novo.
Seth, por incrível que pareça, conseguiu desgrudar os olhos por mínimos milésimos da garota e notou a impaciência que tínhamos. Com dificuldade, ele se afastou dela com o rosto quase desolado, mas voltou para o carro saltitante.
-Manda a bomba! –Embry se empolgou.
-Se chama Sophie e é a mais bela garota que já vi! Tem minha idade! –Seth quase gritou de excitação quando teve certeza de que a menina já não nos ouvia. -Me recebeu muito bem, e me disse que suas amigas falaram sobre os novos ajudantes do professor da academia. Ela faz ginástica lá! Disse que logo poderia voltar a deixar seus horários de atividades para a manhã novamente, e não na hora do almoço. Porque ela chegou agora, e faz academia logo depois que eu saio. Então nos veríamos! Disse que me achou receptivo e que quando voltasse a fazer academia no horário que estou aqui quer que eu seja seu orientador! Meu Deus! Ela é linda! Linda! Meu imprinting! Mal posso acreditar. Vocês sentiram como… Como… Parece um ímã? Entendo perfeitamente o mecanismo entre Jake e Ness, ou Sam e Emily após ver Sophie!
Ele saltitava no banco do carro.
-Melhor e mais bonita que a Iara? –Embry provocou.
-Quem é Iara? -Seth devolveu.
-Uau, realmente isso foi um imprinting. Cara! Você está babando! –Embry riu.
Seth deixaria de ser tão obcecado por Leah e Scott e cuidaria de conquistar Sophie agora. Que bonitinho. Fiquei feliz por ele encontrar sua alma gêmea e se preocupar mais em agradá-la do que me atormentar. Foi como se minhas preces tivessem sido atendidas.
Logo chegamos em casa e a surpresa de Bella e Edward também surpreendeu a mim e a Emm.
Eles haviam comprado um Porsche Cayman prata para os lobos. Assim ninguém precisaria buscá-los ou levá-los ao trabalho. Bastaria eles dividirem o carro entre si. Todos ficaram eufóricos e agradeceram Bella e Edward –os compradores do carro- de todas as maneiras. E todos deram parabéns à Seth por ter encontrado sua cara metade. Todos pareciam felizes pelo pequeno lobo.
Seth parecia ter outro olhar no rosto. Como se… Tivesse se mudado por dentro. Claro, não deixando de ser o cômico e irritante lobo, mas… Um Seth diferente. Renovado.
Ao anoitecer, os que comiam quiseram deixar Esme livre de fazer o jantar, e Nessie e os lobos começaram a cozinhar. Eu, Bella e Alice os ajudamos, afinal, não queríamos nossa casa pegando fogo pelo gás que vazou.
-Não é assim Renesmee! –Bella avisou enquanto Ness temperava a carne com duas colheres inteiras e cheias de tempero. Bati a mão em minha testa.
Nós, vampiras que não comíamos, sabíamos cozinhar melhor do que os que comiam.
Nessie gargalhou ao ver a quantidade certa, e notou que a sua quantidade mataria qualquer humano por excesso de sódio. A pergunta era como tirar tanto sal da carne agora. Alice estava com um espírito tagarela, como ela sempre ficava nas férias, e atirou uma batata inteira em Jacob, que colocava um pouco de água numa panela. Este por sua vez, acreditou que fui eu quem jogou a maldita batata nele, e me acertou uma cenoura molhada.
Revoltada, joguei o macarrão que eu estava tirando do pacote nele.
O prato que os ajudávamos a fazer seria macarronada, se a comida não estivesse sendo desperdiçada em uma guerra.
Bella se desviou do suco de laranja já adoçado que Seth lançou na sua direção, deixando Nessie ser atingida. Ela, brava e molhada, apelou para a água que fervia na panela, e a jogou. Seth conseguiu desviar-se por questão de nano segundos, e antes que eu pudesse pensar, o caldo escaldante atingiu minha pele e molhou minhas roupas e cabelo. Não senti nada, e nem uma queimadura. Mas a raiva que senti de Seth me dominou. A água era para ele. Era para molhar ele. A carne que Ness temperava voou no cabelo dele quando joguei, e para judiar bastante, Jacob me ajudou jogando molho de tomate em Seth. Leah estava repleta de alhos moídos que Bella e Alice jogaram nela.
Gargalhadas estridentes e gritinhos saiam de nós, como se estivéssemos sendo atacados por alienígenas de plástico, e não por um monte de comida voadora. Logo alguém viria checar nosso “jantar”. Fred, Elizza, Edward e Jasper ao entrarem na porta, tomaram um banho de legumes e molho branco. Mais gente se juntou á guerra. Emmett era o mais cruel, pegando itens da geladeira para jogar em nós. A cozinha estava uma verdadeira imundice quando os passos que menos queríamos escutar passaram pela sala principal. Nossos olhos se arregalaram ao nos lembrarmos de sua existência. Como podíamos termos feito essa bagunça sem nos lembrar?
Eu engoli seco. Seth não pareceu se dar conta, e ainda jogou um pedaço de carne crua em mim. Quando Emm o cutucou, foi quando Seth pareceu ter notado o fim da brincadeira.
-Onde ela estava? -Embry cochichou.
-Ela… –Alice suspirou. -Havia ido buscar algumas coisinhas no supermercado enquanto arrumávamos o jantar. Eu esqueci de tentar vê-la voltando. –foi como se nossa irmã se desculpasse, e então a porta da cozinha se abriu.
-Que cheiro é esse de… MINHA COZINHA! -Esme gritou, com a expressão possessa. Era ela quem parecia ter um demônio no corpo agora. Nossa mãe simplesmente observou cada um de nossos rostos, e fitou nossas roupas imundas. E fitou sua cozinha imunda. E nos notou agachados ou escondidos no meio dos armários ou da mesa de jantar, nos defendendo da comida alada.
Foi a gota da água para ela. Principalmente quando Emmett levantou um pedaço de cenoura com uma das mãos, e sorriu angelicalmente ao chacoalhá-la.
Durante o resto da noite todos nós tivemos que dar uma limpeza na cozinha, e arrumar tudo o mais danificado. Enquanto isso é claro que Esme estava nos observando, e passando um belo sermão.
Eu podia sentir que enquanto estávamos arrumando tudo e escutando Esme, segurávamos gargalhadas pela situação. Só não ríamos alto porque isso faria Esme pegar o cinto de Carlisle e usá-lo de chibata.
Nossa mãe era controladora quando Carlisle não estava presente. E se ela não fosse assim, de rédeas curtas, a casa seria destruída em poucos segundos por suas crianças de décadas de idade. Pois éramos eternas crianças, querendo ou não. E nossa mãe sabia muito, muito bem disso.
























