Missão difÃcil resenhar John Green. Sou completamente fã do trabalho desse autor fantástico e A Culpa é das Estrelas conseguiu superar todas as minhas expectativas. Fiquei muito feliz ao saber, há alguns meses atrás, que a editora IntrÃnseca havia adquirido os direitos da obra aqui no Brasil, e comecei uma contagem regressiva até o lançamento. Logo, é um grande privilégio e desafio comentar sobre o livro aqui no Foforks.
Hazel Grace tinha apenas 13 anos quando descobriu que o câncer estava vivendo dela. A doença logo ganhou força e, consequentemente, diminuiu as chances de Hazel de superá-la. Mas graças a um “milagre” da medicina, conseguiram estabilizar, ainda que por um tempo totalmente indeterminado, a doença. Foi quando ela conheceu Augustus Waters (Gus), um garoto completamente diferente e, ao mesmo tempo, totalmente igual a Hazel em vários aspectos. E a história de Hazel começou a ganhar um significado diferente… Ela e Gus logo se tornaram amigos inseparáveis, compartilhando pensamentos e perspectivas, além de fortes sentimentos, como o apego e o desapego, e também suas preferências literárias e musicais. Gus já convivera com a doença, mas estava “sem indÃcios de câncer” há algum tempo e até brincava ironicamente com a doença, colocando – por vezes – um cigarro na boca, mas nunca o acendendo “[...] você coloca a coisa que mata entre os dentes, mas não dá a ela o poder de completar o serviço.”
Os laços entre os protagonistas se estreitam e eles passam a dividir a curiosidade – bastante justificada – pelo final do livro favorito, “Uma aflição imperial”. Ambos começam uma busca por respostas, tentando de diversas maneiras entrar em contato com o recluso autor Peter Van Houten, cujo trabalho se resume a essa obra.
John Green conseguiu mostrar um lado honesto dos portadores de câncer, sem romantizar, sem instigar a piedade do leitor, apenas levantando vários questionamentos que nos fazem ativar nosso senso crÃtico e entender como é estar no lugar de quem está tomado pela doença. A Culpa é das Estrelas não é, nem de longe, um “câncerbook”. Você não se apega ao “final” dos personagens, mas ao presente deles e começa a compreender até os “privilégios do câncer” e como ele é “um efeito colateral de se estar morrendo”. A trama impõe seus limites pontualmente, sem incapacitar seus personagens.
Acho que a caracterÃstica mais forte da escrita de John Green é sua irreverência. Ele costura uma narrativa tão inteligente e elegante – ainda que bastante engraçada – conduzindo o leitor até uma “terceira dimensão” em que Hazel e Gus estão inseridos. Diálogos extremamente sagazes, dotados de tanto significado que nos permitem refletir bastante sobre o sentido das coisas, sobre a situação de Hazel e Gus. Os personagens são tão bem estruturados e intensos que parecem reais. Eles possuem uma consciência incrÃvel, uma dedução mágica e cada citação, cada metáfora, traz um grande aprendizado em uma nova ótica.
A Culpa é das Estrelas possui tantos elementos originais que acabamos nos familiarizando com coisas inexistentes, como a obra “Uma aflição imperial”, favorita de Hazel e Gus e que contribui bastante para o desenrolar da trama; a banda “The Hectic Glow”, preferida dos dois e também criada por John Green; e muito mais. Eu poderia simplesmente dizer que é um livro completo e rico, construÃdo com muita maestria.
A obra é recheada de passagens bem interessantes, porém ressalto uma delas, onde Gus recebe uma resposta de Peter Van Houten e, também, onde o tÃtulo do livro é explicado:
“Caro Sr. Waters,
Acabei de receber sua correspondência eletrônica com data de 14 de abril e estou devidamente impressionado com a complexidade shakespeariana de seu drama. Todos nessa história têm uma hamartia sólida como uma rocha: a dela, estar tão doente; a sua, estar tão bem. Se ela estivesse melhor ou o senhor, mais doente, então as estrelas não estariam tão terrivelmente cruzadas, mas é da natureza das estrelas se cruzar, e nunca Shakespeare esteve tão equivocado como quando vez Cássio declarar: “A culpa, meu caro Bruto, não é de nossas estrelas / Mas de nós mesmos.” Fácil falar quando se é um nobre romano (ou Shakespeare!), mas não há qualquer escassez de culpa em meio à s nossas estrelas.” – Página 106
Se eu tivesse que reduzir A Culpa é das Estrelas em uma palavra, seria essa: genial.
Ah, uma notÃcia muito bacana: a IntrÃnseca ainda irá lançar mais dois tÃtulos do John aqui no Brasil, An Abundance of Katherines e Paper Towns! Mal posso esperar…
Foforkômetro: 




O livro pode ser comprado clicando aqui, e nem preciso dizer que eu super recomendo, né?! Espero que vocês apreciem a leitura.
Tags: Autor: John Green, editora intrÃnseca, Gênero: Drama / Romance, Páginas: 283
Categoria Fora de Forks | ago 11th, 2012 por prih`
8 Comentários »
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Como iniciativa do autor tem 400 livros perdidos nas diversas capitais brasileiras para atingir um bom número de leitores. A ideia é que a pessoa que achar olivro, leia e perca novamente. Genial!!!
Estou doida por esse livro!
Que bom que a editora vai lançar outros tÃtulos do autor no paÃs
Quero muito ler!!!!
Todas as resenhas que li, sem exceção, falaram bem desse livro.
Q dia sai o calendário de amanhecer part 2 e onde posso comprar?
o livro parece interessante,quero esse livro !!
Gente, tive o prazer de comprar esse livro semana passada e o ler em aprox. 72h.
É LINDO! UMA PRECIOSIDADE!!!!
O tema do câncer dentro do livro não faz vc se corroer em lágrimas pq o autor o trata de maneira muito suave e os personagens são bastante queridos.
Espero que todos tenham a oportunidade de degustar essa jóia!!!
Esse livro é simplesmente sensacional, como fã de John Green tenho que reconhecer que esse é o supra-sumo de todos os seus livros. A história é incrÃvel, apaixonante, os personagens são maravilhosos. Sem dúvidas o melhor livro que eu li em 2012, e essa iniciativa de “perder” os livros para que outras pessoas possam ler é genial, todos merecem conhecer e se apaixonar pela história de Hazel e Augustus.
nossa…este livro é muito interessante!!! *—-*