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out 11

Foforks Entrevista: Eric Novello + Promoção Neon Azul
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PROMOÇÃO ENCERRADA! Vencedora: @BrunaMonteiro_. Confira o sorteio aqui!
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Tivemos a oportunidade de entrevistar mais um autor nacional, Eric Novello, que acabou de inserir mais uma obra promissora no cenário literário brasileiro: Neon Azul. O carioca, que atualmente mora em São Paulo, compartilhou conosco vários detalhes sobre o livro que foi lançado pela Editora Draco, e traz a história misteriosa de um lugar frequentado por personagens curiosos.

Aproveitem e visitem o site oficial do Eric clicando aqui.

Sinopse:
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Neon Azul é uma boate onde habitam os seus mais sombrios desejos e tentações. É um lugar diferente, repleto de acontecimentos estranhos, mas que poderia estar na esquina da sua casa ou no caminho entre o trabalho e o metrô. Acompanhe a história do inferninho e de seus clientes peculiares, e descubra que realizar seus desejos pode ter efeitos colaterais imprevisíveis.

Homens de negócio, prostitutas, artistas e boêmios imersos em uma solidão que só quem passeia pela noite já experimentou; um sentimento comum aos que vivem cercados de gente, com um sorriso no rosto e um copo na mão.

Nesse jogo de luzes e sombras que revela a fantasia e encobre a realidade, está nas mãos do leitor a decisão de acreditar ou não no que lê e decidir quem conta as verdades e as mentiras ao longo da história.

Assim como o insone gerente do bar, o leitor terá muito o que lembrar quando deitar na cama e fechar os olhos por própria conta e risco.

Para comprar o livro, clique aqui.

Promoção:

Nós temos um exemplar de Neon Azul e um boneco exclusivo feito pelo autor para sortear entre vocês. Para concorrer, basta, após ler a entrevista na próxima aba, seguir o @foforks, o @cericn e a @editoradraco no twitter e incluir em seus tweets a tag  e o link abaixo:

(http://kingo.to/iJ1) #NeonAzul

Exemplo: Eu queria muito ler um bom livro! (http://kingo.to/iJ1) #NeonAzul

A promoção será encerrada às 22h da segunda-feira, quando realizaremos o sorteio e anunciaremos o vencedor. Caso o sorteado não siga o @foforks, o @cericn e a @editoradraco, será automaticamente desclassificado.

O link+tag pode ser twittado várias vezes. Quanto mais twittar, maiores as chances de ganhar.

O premiado terá um prazo de 3 dias para nos repassar os dados necessários para o envio dos brindes.

Beijos, boa sorte e não deixem de ler a entrevista!!

Entrevista

Primeiramente agradeço a disposição em conversar conosco.
Eric: O prazer é meu, obrigado pelo convite.

Bom, pra começar, seria legal se você pudesse nos contar um pouco sobre Neon Azul. O processo de criação, inspirações, pesquisa, enfoque… Como surgiu a ideia do livro? Era um projeto antigo?

Eric: O Neon Azul era um inferninho de verdade, perto da escola onde estudei cinema (sou roteirista). Quer dizer, eu acho que era um inferninho, porque nunca passei da porta. Tudo que eu fazia era olhar aquela entrada hipnotizante com os meus amigos, a estrutura do toldo negro delineada em neon, e imaginar o que acontecia lá dentro, que tipo de pessoas eu encontraria se subisse a escada.

Nem preciso dizer que fazer escola de cinema é ir todo dia para casa com um monte de exercícios de criação na cabeça, então a imaginação estava fervilhando e eu comecei a esboçar os personagens, o que eu queria deles. Quando eu terminei essa parte, percebi que o Neon Azul era um lugar diferente para cada um deles. Meio como é na vida real. A gente sai para a mesma boate, o mesmo barzinho, e cada pessoa vê o lugar de um jeito. Para mim pode ser um lugar animado e você pode achar um tédio profundo. Ou eu me sentir feliz de estar com meus amigos e alguém se sentir muito sozinho, na mesma mesa. Então eu criei o meu Neon Azul, um barizinho, boate, inferninho, que representasse esse ambiente noturno (quem curte sair de noite com certeza vai se identificar) e que tivesse um toque sobrenatural: no Neon, por mais que você fuja, acaba tendo que enfrentar seus medos e tentações.

Definido isso, sentei e escrevi a primeira versão do livro. Só que eu ainda não tinha a técnica necessária para transmitir a sensação que eu queria para o leitor. Então, deixei o original quieto e um tempo depois peguei para reescrever. Fiz isso mais algumas vezes, até que o editor da Draco pediu para ler o livro. Aproveitei para fazer mais uma revisão, mudei algumas histórias, aparei arestas e mandei para ele.

Se não fosse isso, acho que ainda mexeria no Neon Azul por uns bons anos. Engraçado que não tive nem tenho essa doideira com meus outros livros, foi só com ele mesmo.

Como nasceram os frequentadores do Neon Azul? E suas personalidades distintas? Como foi compor cada um?

Eric: Hoje eu sou um cara mais diurno, mas na época em que escrevi o livro eu curtia demais sair de noite. Ainda morava no Rio, ia sempre aos mesmos lugares, e comecei a me dar conta de uma coisa: apesar do sorrisão no rosto, muita gente que curte a noite é solitária. Depois que a pessoa sai da boate, depois que tira a roupa fodona, que lava a maquiagem, que a música fica para trás, o que sobra dela de verdade? Esses ambientes noturnos são muito mágicos e sedutores, têm uma energia diferente neles que você não encontra durante o dia. Eu comecei a pensar como essa mágica afetaria os frequentadores do Neon Azul. Será que eles também se sentiam sozinhos quando saíam de lá?
Aí foi a hora de pensar em quem frequentaria o bar. Primeiro, criei os funcionários. O leitor vai conhecer dançarinas, prostitutas, barman, seguranças, o pianista, o gerente e o dono, que é a figura mais enigmática do livro. Depois pensei nos clientes: um advogado, um escritor, seu editor, uma ex-cantora. Uns aparecem mais, outros só de relance. O Neon meio que atrai as pessoas para dentro dele, como uma ratoeira, e o dono é uma peça importante desse processo. O que eu acho legal é que cada um conta a sua história e um pouco da história do Neon. Foi um quebra-cabeça. Não tem um processo que eu possa explicar. Eu sentei, fui escrevendo e reescrevendo até que não dava mais para continuar, senão eu ia enlouquecer.

Vou dar um exemplo: tem um assassino que atravessa espelhos. Quando eu criei o personagem, a única coisa que sabia sobre ele é que ele era um executivo. Sabe aqueles caras metódicos e certinhos de escritório? Ele é assim. Só que, para relaxar depois do dia exaustivo, ele chega em casa, toma um banho quente, sai para beber… e mata alguém no caminho. E um dia, entre a casa dele e o Neon Azul, ele encontra alguém mais doido do que ele.

Qual o seu preferido?

Eric: O Armando. Ele é o gerente do Neon Azul, um dos personagens mais bacanas e não dorme nunca. Nunca mesmo. Com isso, ele lê mais livros, vê mais filmes, montou um cinema particular na casa dele, consegue fazer tudo muito mais do que nós, pobres mortais. Ele é o cara ligado diretamente ao Homem, o dono misterioso do bar. Foi inspirado nas minhas noites de insônia. Só que, ao contrário dele, eu não levanto e vou fazer algo de útil, eu fico na cama rolando de um lado para o outro, vendo como o teto é bonito, se a parede mudou de cor. Não consigo ser produtivo na hora em que deveria estar dormindo.

Do mesmo modo que eu trouxe o Lucas Moginie do meu livro anterior para o Neon Azul, quero levar o Armando para os próximos livros.

Desde quando você escreve contos e livros e como surgiu seu interesse em ser autor?

Eric: Eu escrevo desde moleque, mas não sabia que seria escritor. Eu tentava fazer tirinhas de humor, só que eu desenho muito mal e sofro até para fazer um boneco de palito, então o bom senso me fez descartar a opção. A vontade de ser autor veio quando eu comecei a achar todos os livros que eu lia ruins. Tudo eu queria mudar, em todos eu faria algo diferente. Um dia me toquei de que o problema não eram os livros, e sim eu. Estava com vontade de criar e não tinha me dado conta, por isso descontava no que lia. Dor de cotovelo total.

Decidi então que iria escrever um romance. Sentei no computador, olhei para a tela branca e entendi que só vontade não bastava, era preciso algo mais. Tem gente que acha que inspiração cai do céu, que é só sentar e começar a escrever, mas não é bem assim. Fiz um monte de besteira antes de descobrir meu processo criativo. Como ia escrever um romance histórico, tive que pesquisar muito sobre o tema. Depois, foi só me obrigar a ter disciplina e ir até o fim (e jogar muito texto fora nesse meio tempo).

Quais suas maiores influências literárias dentro e fora do universo fantástico, incluindo autores nacionais?

Eric: Eu leio muita gente, gosto bastante dos autores nacionais da minha geração como Sérgio Rodrigues, J.P. Cuenca, Santiago Nazarian, Joca Terron. De internacional, leio principalmente os autores de fantasia urbana: Jim Butcher, Charlaine Harris, Lilith Saintcrow, Caitlin Kiernan, Sergey Lukyanenko. A lista é grande. Acho que tudo que eu vejo, leio e ouço me influência da mesma forma, porque eu gosto de processar as coisas do dia a dia nas minhas histórias. Mas a influência narrativa vem da literatura policial. Posso citar o Graham Greene, um autor de literatura noir, Patricia Highsmith (autora da série do Ripley) e outros que trilhavam caminhos parecidos.

Ao mesmo tempo em que eles usavam mortes e assassinatos para mover as tramas, eles sabiam que o importante era mostrar o que os personagens sentiam, dar ênfase nas transformações pelas quais eles estavam passando, e isso é algo que trago sempre comigo na hora de montar uma história.

Você costuma ler fanfics? O que pensa dos escritores amadores? E daqueles que continuam histórias já existentes, escritas por autores consagrados?

Eric: Eu não costumo ler fanfics, porque eu faço resenha, copidesque, leitura crítica, organizo coletânea, sou tradutor. Em resumo, eu leio o dia inteiro, nem sempre por lazer. Então acabo lendo fanfic só quando algum conhecido me envia o texto, pedindo uma opinião. Mas acho todo exercício de escrita válido. Eu não vejo o escritor como um ser superior como gostam de pintar, acho isso ruim. Por que o escritor seria alguém melhor do que um padeiro, arquiteto, médico? Existe inspiração? Existe, mas a maior parte do processo é ralação mesmo, e todo mundo é capaz de ralar, de se esforçar para chegar aonde quer.

Ou seja, você gosta do que está escrevendo? Curte de verdade as histórias que está desenvolvendo? É isso que importa. É preciso saber que você não vai publicar isso um dia, não vai ganhar dinheiro em cima de um universo que não é seu. Se você está ciente dessa parte e faz por diversão ou para treinar, continue em frente.

Em relação aos preços dos livros aqui no Brasil você acha que pra nossa realidade o livro é acessível pra grande população?

Eric: Costumo brincar dizendo que o livro não é caro, é a gente que ganha pouco. O preço do livro no Brasil ainda é alto, mas tem um motivo para isso. Quando a editora é grande, tem um bom investidor por trás e está investindo em livros de retorno certo como os da saga Crepúsculo, dá para colocar um preço melhor, mas de resto, o editor precisa ter muito tato para pensar nos seus produtos.

Tem gente que diz que o preço do livro inibe a leitura no Brasil, o que eu não concordo. Se fosse assim, os pockets de 9,90 venderiam que nem água, e nenhum livro ficaria parado em sebo. São muitas as variáveis, a gente não pode simplificar a equação. Os índices de leitura no Brasil estão crescendo e tem rolado boas surpresas. Vocês são um exemplo disso. Muita gente que comenta mercado esperava que a geração Internet se afastasse dos livros do mesmo modo que se afastou da televisão, mas olha aí o sucesso que os novos títulos de romance paranormal, fantasia, thriller, terror, etc., estão fazendo?

Em seu site você mantém uma boa relação de contos feitos por você. Seria essa uma forma de expandir a leitura driblando custos?

Eric: Se você é escritor ou escritora, seu site é um ótimo lugar para se arriscar por caminhos diferentes. Lá você pode inventar o que quiser, tentar novos estilos, fazer testes com personagens e o que vier em mente. Então, os contos no meu site fazem parte de um laboratório. Os contos de humor do Diário Secreto de Lucas Moginie serviram para divulgar meu livro Histórias da Noite Carioca. A série A sombra no sol, que acompanha um garoto de programa, serviu para testar uma linguagem mais poética, ver maneiras de falar sobre sexo hetero, sexo gay, conflitos mais densos, e por aí vai.

Não sei se alguém aqui pretende ser escritor no futuro, mas, fica aí a sugestão: além de usar seu site para apresentar o seu trabalho e falar mais de você, aproveite-o como uma área de testes.

Você já leu algum livro da saga Crepúsculo? Se sim, de qual gostou mais?

Eric: Eu não cheguei a ler os livros. Gosto de um toque mais sombrio nas leituras, tramas que se aproximem mais do clima de investigação (acho que já deu para notar, né?), que tragam mistério, e até onde sei a saga da Stephenie aposta em uma pegada mais romântica, expõe os conflitos de forma mais direta.

Posso trapacear e usar os filmes como parâmetro? Se puder, olhando para a história simplesmente, diria que Lua Nova é o ponto alto. Sei que não é a mesma coisa, mas fica aí minha opinião.

Recentemente você organizou a antologia “Meu Amor é um Vampiro”. Já escreveu sobre vampiros ou tem vontade?

Eric: Meu primeiro livro, Dante – o guardião da morte, foi um livro de vampiros passado na Roma antiga, na época de Julio Cesar. Eu curtia muito história romana e mitologia egípcia, então misturei os dois para criar a minha trama.
No meu próximo livro, que será uma fantasia urbana, o roubo de energia e o sangue desempenham um papel fundamental, e eu usarei metamorfos de vários animais, inclusive de morcegos. Então, o personagem se alimentará de sangue, mas não será imortal nem capaz de transformar alguém em vampiro. É um pacote de sedução e morte sem a possível recompensa da imortalidade.

Ao organizar antologias, quais critérios você mais leva em conta ao analisar os contos?

Eric: Qualidade. Eu trabalho como preparador de texto, sei que nem todo mundo tem um texto redondo e que autor não nasce pronto. Mas preciso ver no conto um mínimo de qualidade, preciso enxergar o potencial do autor, decidir que ele já está no ponto para entrar no mercado, que saberá ouvir minhas sugestões e dar o próximo passo. E o que significa qualidade pra mim? Um texto bem escrito (sem quilos de erros de português), com personagens bem construídos e uma trama bem contada. É preciso saber seduzir o leitor, conduzir e fechar arcos de trama e trabalhar os conflitos dos personagens.

Você está envolvido em outros projetos? Se sim, pode nos falar um pouco deles?

Eric: Em 2011 eu vou me dedicar ao meu universo de fantasia urbana, que batizei de Quimera. Estou preparando duas séries, depois de um ano de laboratório com beta-readers. O primeiro livro se chamará Exorcismos, Amores e Uma Dose de Blues, e conta a história de um exorcista que perdeu o coração numa barganha. O Tiago é do tipo que vive apaixonado e só se mete em confusão por isso. Numa dessas, ele se apaixona por uma Musa que estava inspirando uma rockeira, e isso muda a vida dele para sempre. O cara é uma figura. O segundo livro será o Magos Urbanos: A Toca do Coelho, e acompanhará um mago detetive encrenqueiro chamado Ícaro Pagani. Ele vai do Rio para São Paulo ajudar a desvendar uma série de crimes ligados a uma gangue que se inspira nos personagens de Alice no País das Maravilhas. Obviamente, na minha versão eles não são nada bonzinhos. É uma história cheia de magos e criaturas sobrenaturais. Estou me divertindo muito escrevendo os dois.

Como organizador, estou cuidando do próximo volume da coleção Amores Proibidos, já na escolha dos contos, entre outras coisas que ficam de surpresa para o ano que vem.

Sobre os autores independentes, qual sua dica para quem quer trilhar por esse caminho?

Eric: A dica de ouro é: não torre seu dinheiro com editora que cobra uma fortuna para publicar seu livro fingindo que está investindo em você. Comece procurando as comunidades que debatem literatura, fale com os autores mais experientes no facebook, twitter, troque uma ideia com eles, leia os blogs. Vira e mexe abrem vagas em coletâneas (gratuitas!) para você apresentar o seu trabalho, eventos para conhecer todo mundo pessoalmente, um monte de caminhos que não exigem a sua falência.

Sério. Palavra de quem já passou por isso. Pense direito no que está fazendo ao publicar um texto seu.

Dica número dois: peça opinião de quem entende de verdade o que está falando. Não dá para se achar o melhor escritor do mundo só porque sua mãe elogiou o texto. É importante estar preparado para ouvir críticas e crescer com elas. Lembre que ninguém nasceu sabendo. Escrever é reescrever. Não tenha medo de apagar e fazer tudo de novo.

Costumamos finalizar nossas entrevistas com um rápido ping-pong. Responda então com as primeiras coisas que vierem em sua mente, ok?!

Um livro: Trem Noturno, do Martin Amis
Um filme: Os Sonhadores, de Bernardo Bertolucci
A trilha sonora ideal para ler seus livros: qualquer uma que dê para ouvir bem alto.

Bom, agradecemos bastante a entrevista, Eric e desejamos muito sucesso em seus próximos trabalhos. Poderia deixar algum recado para os leitores do Foforks?

Eric: Parabéns por contrariarem as expectativas de quem achou que essa “geração” seria uma geração de não leitores. Espero que vocês continuem lendo muito. Não deixem de visitar o meu site!


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Categoria Entrevistas Foforks, Livros | out 11th, 2010 por prih`

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