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abr 24

Fora de Forks: Entrevista com o autor Jim Anotsu
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Tivemos a oportunidade de entrevistar o autor brasileiro Jim Anotsu, que publicou recentemente o livro Annabel & Sarah. Em um bate-papo super bacana, o jovem autor compartilhou conosco seu ponto de vista,  explicou um pouco sobre o processo de criação de suas personagens e comentou sobre a nossa saga preferida.

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Annabel & Sarah conta a historia de duas irmãs gêmeas, mas muito diferentes.

Annabel, uma garota cheia de atitude e sarcasmo não se entusiasma com a ideia de passar um fim de semana com a irmã Sarah, uma garota alegre e apaixonada por moda, que mora com a mãe do outro lado da cidade.
As coisas se transformam numa viagem à loucura quando mãos surgem de uma TV e sequestram Sarah. Agora, cabe a Annabel unir forças com um lobo detetive particular e encontrar a flor Amor-Perfeito, a unica coisa capaz de salvar sua irmã de um lugar onde todos são obrigados a serem felizes.
Elegante, divertido e de partir o coração, Annabel & Sarah vai te prender até a última página.

Confiram abaixo a entrevista na íntegra.

Antes de começarmos quero agradecer pelo seu tempo e disposição em falar conosco.

Gostaria que você falasse um pouco sobre Annabel e Sarah, como surgiu a idéia para o livro, qual o enfoque, como foi o processo de pesquisa e criação…

Jim: Bem, primeiramente a espinha dorsal surgiu da minha idéia de criar um conto de fadas moderno. E também porque queria criar uma protagonista que fosse forte, porque em muitos livros de fantasia as garotas são simplesmente as acompanhantes menos espertas dos heróis. Annabel, principalmente, é a garota que não leva desaforo para casa e sempre tem um comentário sarcástico. A segunda parte da pesquisa foi para as referências que uso no texto, um monte delas, indo de The Karelia até Franz Kafka.

Pra compor a personagem, você se inspirou em alguma outra heroína da ficção? Por exemplo, Molly Millions do Neuromancer ou Salander da trilogia Millennium, que são bem turronas também?

Jim: Em primeiro lugar ela nasceu de um poema de Edgar Alan Poe e a personalidade em partes vem da minha personalidade mesmo, porque em geral eu me comporto como um Rivers Cuomo antes de ter se tornado um cara estável. Mas se houvesse uma heroína em especial seria a Cathy de O Morro dos Ventos Uivantes, forte,decidida e muito temperamental.

E quanto a Sarah? Ela é a irmã gêmea da Annabel, quais os traços predominantes na personalidade dela?

Jim: Sarah é uma garota que toda mãe amaria. Calma, vaidosa e extremamente educada, ela funciona como o oposto de Ann. É a personagem que mais cresce durante a história, tendo que tomar atitudes e decisões difíceis.

Annabel e Sarah foi seu primeiro trabalho como escritor? Como você ingressou nesse meio?

Jim: Eu já tinha outras coisas prontas e que por mim continuariam na gaveta. Annabel & Sarah foi escrito enquanto eu tinha entre 17-18 anos. Passou por algumas mudanças no meio do caminho. Entrei no ramo de para-quedas. Saint-Clair Stockler que cuidou da revisão acabou o indicando a editora e daí em diante tudo aconteceu de forma suave. Então, eu não passei por todo o processo de triagem, envio de originais e espera angustiada. Posso dizer que sou um cara de sorte.

Quais suas maiores influências literárias dentro e fora do universo fantástico?

Jim: O primeiro de todos é Robert Louis Stevenson, decidi escrever por causa dele, Jack Kerouac, Franz Kafka, Jack London, Nick Hornby, Genichiro Takahashi e o adorável Jonathan Safran Foer. E quando meu humor está meio sombrio eu me volto para Lawrence Ferlinghetti, o cara sempre tem uma coisa certeira pra dizer.

E quanto a autores nacionais, você exaltaria algum?

Jim: Sim! Lúcio Cardoso, autor de Crônica da Casa Assassinada, um livro muito do bacana. Amei bastante. Machado de Assis que realmente sabe usar ironia como ninguém e por fim acho que João Gilberto Noll que tem um trabalho forte.

Ok, por que Jim Anotsu? A adoção desse pseudônimo foi por alguma causa especial? Ele tem algum significado?

Jim: Ora, ora, ora. Um amigo de Seattle inventou isso e desde então ficou entre nós como uma piada. Mas com relação à obra, bem, eu sabia que o livro seria esquematizado em cima de refêrencias e dái cheguei a mesma conclusão que Daniel Hnadler (Lemony Snicket). Por quê o autor não pode ser uma construção também ?

Na hora de escrever então, o pseudônimo inspira? Você consegue “incorporar” digamos assim, essa construção e as idéias fluem com mais facilidade?

Jim: Totalmente. É interessante como as coisas simplesmente fluem dessa forma e eu consigo encontrar o humor ou a falta dele que o narrador possui. É meio que um download dessa personalidade.

No seu livro Annabel une forças a um lobo detetive. Você acredita em lobos? E em vampiros?

Jim: Eu acredito em qualquer coisa que faça uma história funcionar, Neil Gaiman disse isso. Então sim, acredito em lobos detetives, pandas mafiosos e em vampiros ou no bicho papão que está no meu bolso.

Você costuma ler fanfics? O que pensa dos escritores amadores? E daqueles que continuam histórias já existentes, escritas por autores consagrados?

Jim: Fanfics, eu nunca li nenhuma. Não seria direito eu comentar sobre isso. Acho que todos em algum ponto são amadores e isso é parte do caminho até você conseguir chegar a ter sua história publicada. É nessa meta que você escreve, ouve conselhos, lê e reescreve. Continuar histórias consagradas às vezes é a coisa certa. Peguemos o exemplo de Robert Jordan que morreu sem completar The Wheel of Time ou também Douglas Adams que está tendo a continuação de Guia do Mochileiro escrita por Eoin Colfer (Artemis Fowl). É uma forma de os fãs terem um final para aquilo em que investiram tanto dinheiro, dedicação e fidelidade. Por outro lado, acho que a continuação de O Chefão do Mario Puzo foi uma coisa caça-níqueis, existem casos e casos.

E quanto aos preços dos livros no Brasil, sem colocar como caro ou barato ou sem comparar com outros países, você acha que pra nossa realidade o livro é acessível pra grande população?

Jim: O livro está mais acessível hoje do que em qualquer ano antes desse. Você consegue ler grandes clássicos por 10,50 e mesmo best-sellers podem ser encontrados a preços razoáveis. Até mesmo revendedoras da Avon vendem livros que não machucam o bolso de ninguém. Poderia ser mais barato um pouco? Talvez sim, mas também existem bibliotecas públicas e o velho pegar emprestado com um amigo. Os livros estão acessíveis, mas as pessoas não chegam até eles.

Você citou O Morro dos Ventos Uivantes. Stephenie Meyer se inspirou muito nessa obra para criar o relacionamento “impossível” de Edward e Bella. Você já leu algum livro da saga Crepúsculo?

Jim: Sim, li todos os quatro mas não animei a ler Midnight Sun, não tem final. Romeu e Julieta e O Morro são grandes influências de Stephenie.

De qual você gostou mais?

Jim: Acho que seria Eclipse, pela tensão crescente do relacionamento com Jake enfiado no meio. E a escrita dela está melhor ali. Amanhecer teve uma queda de qualidade, e acho que os Volturi não seriam tão facilmente detidos.

Vampiros ou lobisomens? De que “lado” você fica?

Jim: Ei, eles não são lobisomens! Eu ficaria com os transmorfos. Puxa, eles são caçadores orgulhosos.

Analisando como Jim e não como leitor da saga, você acha que a Meyer cometeu alguma falha grave na série? Se sim, qual?

Jim: Acho que seria o final de Amanhecer. E também o uso repetitivo de “o toráx perfeito de Edward” no primeiro livro. Ela se esforçou muito para explicitar as características dele, sendo que poderia ter sido mais sutil. O problema em Amanhecer acho que foi mais estrutural, apesar de que a melhor escrita dela está ali, a parte narrada por Jacob.

Você tem vontade de escrever sobre vampiros? Tem algum trabalho seu por vir?

Jim: Vampiros, não. Acho que se eu não tiver uma idéia para contribuir para o gênero, prefiro ficar quietinho. No momento estou escrevendo uma comédia romântica.

Há previsão de conclusão/lançamento? Já possui nome?

Jim: Na verdade já está pronto, o problema é voltar a trabalhar em uma coisa que fiz há algum tempo. Por enquanto sem previsão. O título é “A Morte é Legal”.

Bom, sempre finalizamos nossas entrevistas com um rápido ping-pong. Queria então que você indicasse 1 livro, 1 filme e 1 disco de sua preferência…

Jim: Livro – Reparação de Ian McEwan. Filme – Deixe ela entrar. Disco – A guide to loss and desesperation do The Wombats.

Tem algum recado que você queira deixar para os leitores do Foforks?

Jim: Muito obrigado pela paciência e espero que vocês gostem de Annabel & Sarah. Tudo de bom e fluorescente pra vocês. A gente se vê por aí.


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Categoria Entrevistas Foforks | abr 24th, 2010 por prih`

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